Dr. Horácio A. Figueira, Engenheiro Civil e Consultor em Engenharia de Transporte: área de lazer no Minhocão? “Vai deixar de ter o barulho de veículos na janela dos apartamentos, para as 7, 8 horas da manhã, num sábado e domingo ter o barulho de pessoas correndo, gritando, andando de skate. É uma agressão urbana!”

JORNAL DO ENGENHEIRO

Jornal do Engenheiro

São Paulo 6 de junho de 2016

     Apresentadora: O Elevado Costa e Silva, mais conhecido como Minhocão, é uma estrutura gigantesca que liga as regiões leste- oeste de São Paulo.

     Construida em 1970 tem 2.8 kms de extensão e sua rota atravessa diversos prédios residenciais. Tanto gigantismo garantiu a ele muitas críticas.

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     Francisco Machado – Movimento Desmonte Minhocão: O problema do Elevado Costa e Silva – Minhocão – é um problema estrutural.

 

     Ele é um viaduto que foi construído há 45 anos atrás, no século passado, portanto, considerado um crime urbanístico, considerado uma cicatriz no rosto da cidade de São Paulo.

 

     Apresentadora: O consenso em torno do assunto é o que fazer com o Minhocão. Um grupo aponta que a demolição total é o único jeito.

Este representante do Movimento Desmonte Minhocão aponta alguns dos motivos.

 

     Francisco Machado – Movimento Desmonte Minhocão: Uma série de problemas. Em primeiro lugar para estes 230 mil moradores, diga-se de passagem, eleitores, de saúde, gerados pela poluição atmosférica, pela poluição sonora, pela poluição visual.

 

     Eu tenho aqui vários estudos inclusive do British Medical Journal, dizendo isso: como agride a saúde dos moradores. Isso nunca poderia ter sido feito.  Problemas de segurança gravíssimos.  

 

     Apresentadora: Pelo Relatório da CET de 2014, circulam no sentido leste-oeste, em um hora de pico, cerca de 3 mil veículos por hora, nas duas faixas.

 

     Ao todo cerca de 3,600 a 4 mil pessoas por hora. Para este especialista em mobilidade, a desativação do Minhocão precisa acontecer e ser acompanhada de um reforço no transporte coletivo da região. 

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     Horácio Augusto Figueira, Engenheiro Civil e Consultor em Engenharia de Transporte:   Se a gente pensar em 3.600 pessoas por hora, um ônibus biarticulado, com 120 pessoas a bordo, com nível de conforto bom, não lotado, para estar lotado precisaria de muito mais pessoas, você com 30 ônibus, com 120 pessoas de ocupação em cada um , você conseguiria atender a todos os usuários de automóveis dos 3.600 por hora, somente com a alternativa ônibus.

 

     É óbvio que isso é uma utopia, mas se a gente conseguir transferir 20, 30% dos que estão hoje em automóvel para o modal coletivo, já seria sucesso.  

 

     Apresentadora: Para Figueira, ainda que todos os carros que hoje trafegam no elevado continuassem a circular no entorno, isso não acarretaria grande problemas.

 

     Já que o viário alternativo composto pela Marginal Tietê e Marquês e também pela Avenida Marquês de São Vicente pode absorver o fluxo.  

 

     Horácio Augusto Figueira, Engenheiro Civil e Consultor em Engenharia de Transporte:   Então você vai pegar duas faixas do Minhocão e vai distribuir por 14, 15 faixas de tráfego que existem no viário alternativo.

 

     Então isso vai dar um acréscimo, eu diria, quase que imperceptível nessas outras vias. As pessoas vão se redistribuir.

 

     Aquilo são pilares, são vigas e lajes que absorvem o calor.

 

     E você vai deixar de ter o barulho de veículos na janela de seu apartamento , as 7, 8 horas da manhã, num sábado e domingo para ter barulho de pessoas correndo, gritando, andando de skate.

 

     Ou seja, é uma agressão urbana! Nossa! É uma invasão. É uma invasão.

 

     Porisso que eu pergunto: aqueles que são favoráveis … acho que a pesquisa teria que ser feita assim: você é favorável que o Minhocão seja transformado em parque? Que não seja demolido?

 

     Onde você mora? Então nós vamos fazer um elevado lá.

 

     “Ah, mas na frente da minha casa não quero”.

 

     Então a graça termina por aí.    

 

     Francisco Machado – Movimento Desmonte Minhocão: Nós perguntamos: custo (de “parque”) ? Claro. Se quer fazer um parque, se quer fazer um prédio, se quer fazer uma rua, se quer fazer um viaduto, uma obra, precisa ter uma proposta de gasto, uma proposta de orçamento. “Não… não temos”…

 

     E na prática corresponde a exigir do Prefeito, do Executivo, que dê assim um cheque em branco, para eles fazerem o que bem entenderem.  

 

     Apresentadora: O Plano Diretor da cidade , aprovado em 2014, determina que até 2029 o projeto de lei decida  se o Minhocão fica de pé ou não.

 

*   *     *

Assista ao Programa clicando em

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