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out 02 2017

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FUTURO DO MINHOCÃO: razoáveis ponderações de um Observador

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‘Ao vencedor, as batatas’

batatinhas

30 de setembro de 2017

Cartegni

Luciano Cartegni

         No canto esquerdo, os que defendem a demolição – entre os quais me incluo – percebedores de que o elevado como tal, é elemento desestruturador da cidade e do social ao seu redor, causou, e continuará causando danos pela brutal intervenção que foi desde sua imposição.

          De certa forma, trata-se de resgatar a cidade pré-existente, a avenida anterior que sucumbiu a esse tipo de experiência perversa que foi acrescentar elemento tão agressivo em tecido urbano já consolidado. Quarenta e tantos anos de deterioração falam por si.

          Só não vê quem não quer. Alem de todas as observações e argumentos técnicos para justificar a demolição, pesa sobretudo a questão de corrigir o erro histórico que foi a construção do elevado.           Um outro erro não corrige um erro.          

          No canto direito, os defensores do parque, uma proposta sedutora, embalada por argumentos pós-modernos de respeito as pré-existências, a intervenção pontual, a resignificação do espaço. Tentadora, porque pressupõe maior tolerância, clamando pela humanização do elevado.          

          Não poderia ser mais enganadora, pois ignora os efeitos negativos que o elevado causa acreditando que ao reinventar a parte, contagiaria o todo.          

          Ora, o ponto aqui é que a única intervenção sustentável é a que beneficia o todo, e não a parte.

          A somatória de dois erros é um erro ainda maior          

         Os defensores da demolição são frequentemente criticados pelo radicalismo da assertiva que é a remoção como única solução, pela falta de visão da possibilidade do parque, pelo não reconhecimento da já presente utilização do espaço.          

          Os defensores do parque por sua vez, são criticados pela não percepção da própria realidade que é o espaço degradado, de ignorar os efeitos danosos a toda uma população que sofre com a existência desse elemento perturbador, por uma quase obsessão que é realizar um parque em um local inapropriado e até mesmo pela descarada mercantilização do espaço público.          

           Seja lá qual for a solução, cada um de nós sabe no íntimo os efeitos que podem decorrer, mas pagamos para ver.          

           Caso demolido, não se pode negar que a possível gentrificação ( Obs: talvez o autor desconheça, mas a maioria dos moradores são proprietários e idosos) se dará com mais força do que teria tendo o parque como apelativo.          

           Caso parque, corre-se o risco de que a inviabilidade de sua própria manutenção o torne impraticável e aumente ainda mais a deterioração, apressando o seu fim.          

           O destino do elevado está contido nele próprio o que é feito montado pode ser desmontado, ainda que viva seus dias de parque, daqui a 50 anos, seu próprio custo de manutenção levará a sua remoção.          

            Ao final, passearemos sob o sol, livres do minhocão, comendo batatinhas na Amaral Gurgel.

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