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jun 23 2017

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MINHOCÃO: ENTRE A INSENSATEZ E O PROGRESSO

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Minhocão: entre a insensatez e o progresso

JN Perimetral 4

Rio 1

Enquanto no Rio, que eliminou seu Minhocão (Perimetral)

e fêz o moderno e turístico Boulevard Olímpico

Desmonte Minhocão foto 1

Em São Paulo, pretende-se perpetuar a carcaça velha de 46 anos do Minhocão

– viaduto passando no meio de prédios residenciais –

imposto na época da ditadura, gerador só de problemas e gastos para a Prefeitura,

com o sério risco de se transformar em uma Cracolândia Duplex

O MDM informa e esclarece

Castelinho da rua Apa          1º) Em abril p.p., quando da inauguração do Castelinho, na esquina da rua Apa com Avenida São João, a Diretoria do MDM esteve presente ao evento, ocasião na qual sua Diretora e Presidente da Ação Local Amaral Gurgel, Dra. Yara Goes, entregou Ofício ao Prefeito João Doria, expondo motivos pelos quais se pede o desmonte do famigerado elevado, custo da obra e solicitando uma reunião com as lideranças, associações comunitárias da região e CONSEGs – Conselho de Segurança.

Yara Doria MDM Castelinho 1

Diretora do MDM, Dra. Yara Goes entrega ao Prefeito João Doria, Oficio conjunto da entidade,

com CONSEGs – Conselho de Segurança – e associações comunitárias da região

 

         O MDM foi direcionado a proceder a exposição do Projeto Desmonte Minhocão nas seguintes secretarias: Secretaria de Segurança Urbana Municipal, Cel. PM José Roberto; Secretaria de Urbanismo, Dra. Heloisa Proença; Secretaria de Obras, Dr. Marcos Penido, bem como ao Prefeito Regional Sé, Sr. Eduardo Odloack.

 

         O MDM realizou as exposições nos órgãos municipais acima, tendo recebido exclamações tais como: “mas isso é um projeto histórico!”; “Isso sim vai requalificar a mudar o fisionomia da área central de São Paulo”; “coloque-me no MDM!” etc.

 

         Enquanto aguardávamos sermos atendidos finalmente pelo Prefeito João Doria, consternados lemos a notícia de que este apresentou projeto diametralmente oposto, não ouvindo moradores, liderança e associações comunitárias.

 

         Pelo projeto, se perpetuará a carcaça velha do Minhocão, aberração urbanística – viaduto passando no meio de prédios residenciais -, imposto à população há 46 anos atrás, na época da ditadura, sem nenhum estudo de impactos ambientais e gerando uma série de problemas de saúde, segurança, invasão de privacidade e “incomodidade insuportável”, conforme qualificou o Promotor de Justiça de Urbanismo e Habitação, Dr. César Martins, do Ministério Público.

 

          A remoção de viadutos é tendência mundial, pois conforme afirmação de Jaime Lerner, é mero instrumento de transposição de congestionamento de um lugar para outro.

 

           Enquanto metrópoles do mundo inteiro eliminam seu Minhocão, como Boston (EUA), Lyon (França), Montreal (Canadá), Barcelona (Espanha), Seul (Coréia do Sul) e Rio de Janeiro, requalificando, reurbanização e modernizando o local, o comércio e atraindo o turismo, lamentavelmente se insiste em reapresentar o requentado projeto “parque” Minhocão, já apresentado a comunidade em 2014, em Audiência Pública na Câmara Municipal e que arrancou gargalhadas da plateia, com suas fantasias delirantes de “praia” sobre o elevado etc, expondo a nossa cidade ao ridículo nacional.

 

        O Projeto Desmonte Minhocão, de custo de apenas 28 milhões (sem propinas), é obra limpa, sustentável, que se auto paga, pois as 900 vigas (70 mil cada) são desmontadas e reaproveitadas, gerando lucro para o caixa municipal, sem falar na eliminação dos graves problemas que causa nos 230 mil moradores que residem ao longo de seus 2 kms e 800 metros, requalificando essa importante área central, incrementado a volta do comércio que hoje se encontra detonado, aumentando com isso a arrecadação de impostos, IPTU, ITBI etc, gerando empregos e atraindo turismo.

 

         O insano projeto do “parque” Minhocão apresentando na reunião de terça-feira ao Prefeito João Doria, requentado da época Haddad e reapresentado como coisa nova, tem o custo inicial de 400 milhões de reais!!!

 

         Quem pagará por essa insanidade?

 

         Será razoável torrar essa fortuna num projeto fadado ao fracasso, enquanto nossos postos de saúde não tem médicos e remédios?

 

         Será razoável torrar essa fortuna num projeto fadado ao fracasso, enquanto nossa valorosa GCM – Guarda Civil Metropolitana – conta um minúsculo contingente de apenas seis mil policiais, para dar segurança a uma população de mais de doze milhões de pessoas?

 

         Será razoável torrar essa fortuna num projeto fadado ao fracasso, enquanto os já existentes parques e praças municipais estão em estado deplorável, conforme comprovou a documentada matéria dos repórteres Adriana Farias e Sérgio Quintella, de VEJA SP (3/5/2017 – pp 28, 29 e 30), intitulada

 

SELVA DE PROBLEMAS

Com corte no orçamento e redução no quadro de funcionários,

parques da capital sofrem com a degradação,

a falta de limpeza e o aumento de 40% de furto e roubo”

 

         Resumindo: o desmonte do Minhocão é um problema de segurança e saúde pública e trará o progresso para a terceira metrópole do mundo.

 

         A perpetuação desse monumento de feiura e degradação da área central de nossa cidade gera só problemas e gastos.

 

Marcos Barreto

         Dr. Marcos Lúcio Barreto, Promotor de Justiça do Meio Ambiente, do Ministério Público, em Audiência Pública na Câmara Municipal, sintetizou o problema e a solução: “

 

          – “É para a qualidade de vida das pessoas (que moram ou trabalham ao longo do elevado) que já está degradada há mais de quatro décadas.

 

          Que esse martírio tenha um fim!

 

          Isso é razoável.

 

          Que se proceda o desmonte!

 

          Não tem outra alternativa”.

 

*         *          *

 

          2º)  No dia 22 de junho de 2017, no Caderno Quotidiano, o jornal Folha de São Paulo publicou a seguinte matéria:

Folha de São P

Doria estuda projeto para Minhocão com parque, ‘praia’ e restaurantes

Conversão do elevado em área verde  seria um pilar do

projeto de revitalização do centro

ROGÉRIO GENTILE

DE SÃO PAULO

22/06/2017

Folha Quotidiano

Minhocao FSP 22 6 17

Movimento de veículos ao lado de edifícios

que sofrem com barulho, falta de privacidade e poluição

 

         O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), estuda transformar o Minhocão, pelo qual passam cerca de 78 mil carros por dia, em um parque linear nos moldes do High Line, antiga linha férrea de Nova York que virou uma área de lazer suspensa.

 

         O projeto, batizado de “Parque Minhocão”, foi sugerido a Doria pelo arquiteto Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, mas depende de estudos técnicos que a administração começou a fazer para avaliar o impacto no trânsito e os modelos de financiamento pela iniciativa privada.

 

           A conversão do elevado presidente João Goulart em área verde seria um dos pilares do projeto de revitalização do centro, que Lerner prepara a pedido de Doria e para o qual foi contratado em parceria com o Secovi, o sindicato do mercado imobiliário.

 

         Inaugurado em 25 de janeiro de 1971 por Paulo Maluf, que o chamou de “a maior obra em concreto armado da América Latina”, o Minhocão tem 3,4 km de extensão.

 

           Lerner prevê arborizar as laterais da via, erguida com 8.000 vigas e 85 mil metros cúbicos de concreto (ou 680 mil sacos de cimento). O Minhocão ganharia faixa para bicicletas e teria escadas e elevadores para facilitar o acesso dos usuários.

 

           O projeto prevê também a construção de uma “praia” no elevado, com direito a piscina e bolsão de areia, e de rampas que ligariam o parque Minhocão a alguns edifícios –os andares adjacentes ao viaduto seriam ocupados por cafés e restaurantes.

 

         Lerner propôs ainda utilizar a parte de baixo do Minhocão. A ideia é montar salas para a realização de exposições e de eventos culturais.

 

         Outra possibilidade em discussão na prefeitura, caso os estudos técnicos concluam pela inviabilidade do parque, seria a implantação de um sistema de isolamento acústico e de redução da exposição da vizinhança à poluição veicular.

 

E O TRÂNSITO?

         Antes mesmo de sua inauguração, em janeiro de 1971, o Minhocão já despertava polêmica. Reportagens da época diziam que, “passada a euforia da inauguração, os urbanistas da cidade poderão analisar, friamente, o que foi feito de uma das maiores avenidas de São Paulo”.

 

         O Minhocão acelerou a decadência da avenida São João, iniciada ainda nos anos 50 quando a avenida Paulista passou a atrair as atenções do mercado imobiliário.

 

         A obra, que passa a menos de oito metros das edificações, criou uma gigantesca sombra na avenida São João e nos primeiros pavimentos dos prédios, que sofrem também o impacto direto do barulho, da falta de privacidade e da poluição dos carros.

 

         Tanto assim que, gestão após gestão nos últimos anos, sempre se discute o que fazer com o Minhocão. José Serra (2005-2006) organizou um concurso de ideias para a revitalização. Gilberto Kassab (2016-2012) defendeu a demolição e Fernando Haddad (2013-2016) propôs uma desativação progressiva.

 

         Na campanha eleitoral, Doria disse que era contra demolir o elevado. Em abril, após visitar uma área revitalizada de Seul com a desativação de um “Minhocão coreano”, disse que “a demolição seria uma atitude sem respaldo de investimento”.

 

           Em São Paulo, a despeito dos problemas que gera para a qualidade de vida da região, o Minhocão consolidou-se como uma engrenagem do sistema ligação das regiões leste e oeste da cidade.

 

           Se em 1967, quando começou a ser concebido, a região metropolitana de São Paulo tinha uma frota de 493 mil automóveis, atualmente, só na capital paulista, há cerca de 5,96 milhões de carros –sem contar outros veículos, como motos, ônibus e caminhões.

 

         Nos dias úteis, cerca de 7.000 veículos passam pelo elevado no horário do pico da manhã (entre 8h e 9h). Com o eventual fechamento da pista, as ruas do entorno teriam condições de absorver um tráfego desses?

 

         A Folha apurou que o projeto de Jaime Lerner sofre resistência de parte dos técnicos da Secretaria Municipal dos Transportes justamente em razão do temor de abalo no trânsito da cidade.

 

         Na gestão passada, no entanto, um estudo realizado pela CET em 2014 apontou que a desativação do elevado não provocaria “impactos significativos no sistema viário do entorno”.

 

           Para a arquiteta Anne Marie Sumner, professora do Mackenzie, o viaduto é uma obra nefasta. “É de uma insalubridade sem tamanho.” Para ela, um parque seria um paliativo. “Tem de demolir.”

 

         O vereador Police Neto (PSD) entende que não é necessário derrubá-lo. “O parque Minhocão pode ser um marco para a recuperação do centro da cidade”, diz.

 

         O deputado federal Paulo Maluf (PP), que fez a obra quando prefeito, diz que todo mundo critica o Minhocão, mas que ele é fundamental para o trânsito. “Um túnel é mais bonito, mas o paulistano aceitaria pagar o dobro de IPTU para construí-lo?”

 

         Maluf aconselha Doria a ler o que o então prefeito Olavo Setúbal (1975-79) falou quando alguém lhe perguntou se derrubaria o Minhocão. “Você quer derrubar o prefeito?”

 

420 DIAS

 

         O Minhocão foi inaugurado no 417º aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 1971, após 420 dias de obras. Conforme reportagem publicada pela Folha na época, 3.100 operários e técnicos trabalharam na construção.

 

         Ele começou a ser concebido na gestão do prefeito Faria Lima (1965-1969), mas foi construído por Paulo Maluf (1969-1971), que o sucedeu. A obra foi viabilizada por uma reforma tributária realizada em 1965, durante a ditadura militar, pela qual os municípios passaram a receber um percentual do então ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadorias), que substituiu o IVC (Imposto sobre Vendas e Consignações).

 

         O elevado, que por muitos anos homenageou o general Costa e Silva, segundo presidente da ditadura militar, custou Cr$ 40 milhões na época –R$ 202 milhões em valores atualizados pelo IGP-DI (FGV).

 

         A via possuiu uma largura de 16,7 metros e as suas fundações estão em uma profundidade de 46 metros em relação ao nível do solo.

 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/06/1894980-doria-estuda-minhocao-com-parque-e-praia-como-pilar-para-revitalizacao.shtml

 

Obs: os sublinhados e negritos são de nossa redação.

 

*         *          *

          2º) Em carta a secção PAINEL DO LEITOR ao jornal Folha de São Paulo, o Diretor de Imprensa do MDM – Movimento Desmonte Minhocão – Francisco Gomes Machado escreveu:

Folha Leitor

Sexta-feira, 23 de junho de 2017 – p. 3

 

PAINEL DO LEITOR

 

MINHOCÃO

 

Milhares de moradores, lideranças e associações comunitárias leram atônitos o insano projeto apresentado por Doria de “parque Minhocão”. Vítimas dos sérios problemas causados por essa aberração urbanística, pedem que o prefeito se digne a democraticamente ouvir o projeto Desmonte Minhocão.

 

FRANCISCO Gomes MACHADO, diretor de imprensa do Movimento Desmonte Minhocão (São Paulo, SP)

 

http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/2017/06/1895261-michel-temer-nao-e-um-lider-respeitado-diz-leitor.shtml

http://www.minhocao.net.br/

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