MINHOCÃO: ” A DISCUSSÃO VAI CONTINUAR”, AFIRMA FRANCISCO MACHADO, DIRETOR DO MDM

MINHOCÃO: ” A DISCUSSÃO VAI CONTINUAR”,

AFIRMA FRANCISCO MACHADO, DIRETOR DO MDM

27/2/2019

Prefeitura anuncia a construção do Parque Minhocão

Após décadas de discussões, a prefeitura decide construir um parque sobre o polêmico Elevado João Goulart, que corta o centro da cidade por 3,4 quilômetros

          Inaugurado em 25 de janeiro de 1971, durante a ditadura militar, por Paulo Maluf, o elevado entrou na mira de diversos outros prefeitos nas últimas quatro décadas. Em 1976, já com sinais da degradação acelerada do entorno, Olavo Setubal proibiu a circulação de veículos ali entre meia-noite e 5 horas. (…)  Em 1989, Luiza Erundina ampliou o fechamento, desta vez estabelecido para o período entre 21h30 e 6h30. (…) 

Francisco Machado, do Movimento Desmonte Minhocão: 

a discussão vai continuar (Marcelo Justo/Veja SP)

          (…) No Rio de Janeiro, a demolição do Elevado da Perimetral, em 2014, fêz a área do porto ser reinserida na paisagem carioca. 

Demolido: No Rio, o fim da Perimetral

reintegrou o porto à cidade (Marcelo Tasso/Veja SP)

          A favor desse argumento está ainda o valor a ser gasto. A demolição do Minhocão custaria cerca de 30 milhões de reais, 20% a menos do que o valor que a prefeitura precisaria desembolsar para a construção do parque.

        “O Minhocão tem hoje mais de 1.500 pontos de infiltração. Há décadas não vemos manutenção ali”, reclama Francisco Machado, outra voz eloquente do grupo pró-demolição. (…) 

          Em 2012, milhares de pessoas foram até lá prestigiar a concorrida galinhada do chef Alex Atala. A demanda enorme provocou confusão. A partir dali, o Ministério Público acatou pedido da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, que alegaram falta de segurança, e proibiu eventos no local.

          “Do jeito que está, não é seguro”, afirma o promotor César Martins, da Promotoria de Habitação e Urbanismo. “Com o anúncio do novo parque, vamos analisar as condições de segurança, conforto e comodidade”. (…)

          “A doença é o Minhocão em si, e não o uso que se faz dele. Aquilo deveria vir abaixo para que a cidade recupere seu chão”, afirma o urbanista Valter Caldana, professor de arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, integrante do último time.

Demolido: Em Seul, um rio foi renovado

e ganhou arborização (SHARROCKS/Getty Images)

          Essa opção encontra eco em experiências de outras cidades. Em Seul, na Coreia do Sul, o viaduto Cheonggyecheon, de 5,8 quilômetros, foi ao chão em 2005. No lugar do concreto, um rio até então canalizado foi recuperado, com um parque linear em volta. (…)

          A ideia de transformar uma das mais degradadas e criticadas vias de São Paulo em parque suspenso tem como principal modelo o High Line, em Nova York, criado em 2009. Ali, uma antiga linha férrea virou um ímã para turistas e investimentos. Em Paris, a Promenade Plantée também utiliza uma passagem desativada de trens para abrigar uma passarela(…) “Ambos são projetos inspiradores, mas pouco têm a ver com o nosso Minhocão”, diz o mestre em urbanismo Mauro Calliari. (…) 

Moradores de rua dormindo embaixo do Minhocão,

à noite, no centro da cidade (LULUDI/Divulgação)

          Trânsito – “Os motoristas que utilizam o elevado apenas como passagem para outras regiões serão desviados pelos aplicativos para outras vias. No caso de quem se destina aos bairros do entorno do Minhocão, eles enfrentarão congestionamentos com duração maior que a habitual”, estima o engenheiro de tráfego Sérgio Ejzenberg.

          “Ou seja, não só o trânsito vai piorar muito na já congestionada parte de baixo, como também continuaremos com o problema da poluição, que seguirá encaixotada, indo direto para os apartamentos”, completa. (…) 

https://vejasp.abril.com.br/cidades/minhocao-capa-projeto-verde/

 

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